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Estou aprendendo a ter um novo conceito de espiritualidade. Engraçado que, depois de 11 anos de Cristianismo, vejo agora uma nova construção para a definição do que é ser espiritual. O tempo vai nos amadurecendo e nos dando novos caminhos, novas conclusões e prioridades para a práxis da vida.

Já fui uma pessoa que busquei a espiritualidade somente nos relacionamentos humanos, em fazer amigos, compartilhar minhas dores e alegrias, em ter companheiros ao meu lado. Minha definição para um “ser espiritual” estava limitada em pessoas.

Porém, percebi que pessoas são falhas, trazem frustrações e não cumprem com todas as nossas expectativas que criamos. Então, fui para o lado oposto, busquei a espiritualidade no místico, no transcendental. Achava que era necessário ter uma vida de orações constantes, leituras infindáveis da Bíblia, jejuns regulares, ir à igreja o maior número de vezes possíveis na semana, enfim, todo aquele discurso de gente que busca a Deus intensamente.

Outra vez, vi que não era isso que eu necessitava. Estava virando simplesmente um religioso, cumpridor de regras para tentar atingir um relacionamento com Deus, afastava-me da realidade da vida, dos familiares, sufocava-me com minhas próprias ações e não contemplava o que é viver, pois trancafiava-me num mundo muito divino para mim.

Caminho para uma nova espiritualidade. Aquela em que há uma dialética entre um relacionamento horizontal e vertical, que busca na devoção em Deus, no tempo de leitura da Bíblia e reflexão da sua palavra, nas orações diárias, enquanto, também procura no rosto do humano, na história de vida das pessoas, nas amizades e leituras do mundo.

Cristo resumiu a lei dos profetas em dois mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” – Mt. 22:37-40. Ele nos ensina que para seguir a Deus e todos os seus princípios precisamos preservar a humanidade.

Necessário é lembrar que somos humanos quando buscamos a Deus e ver nossas limitações, defeitos e imperfeições. Também, quando estamos com o nosso próximo, olhando para as alegrias e dores e ver que todos somos os mesmos.

Quero uma vida espiritual sem jugos e “pesos”, porém compromissada com o Senhor e com seu Reino, que defenda a essência do Evangelho; Que seja interligada com a vida e com as pessoas, e não distinta entre o que é “divino” e “terreno”; Que seja baseada em valores e princípios e não em farisaísmos e obsessões religiosas.

Não quero uma igreja igual ao um monastério ou um quartel general, muito menos comparada a um clube social. Não quero ser um monge, nem somente um ativista político ou um diplomata, quero ser um discípulo de Cristo.

Sei que tudo é muito novo para mim, ainda há muitas dificuldades, porém, mesmo com esse espelho embaçado pela fumaça, começo ver alguns traços da imagem. É a gênese de uma nova espiritualidade.