“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” 1 Timóteo 5:8  

Muitos especialistas como psicólogos, sociólogos, pedagogos e tantos mais “ogos” têm estudado e observado a grande importância para o que chamamos de “família” na vida de um indivíduo. Porém, nesse mesmo momento, a sociedade tem presenciado uma crise no modelo familiar que construimos ao longo do período histórico.

O historiador e jornalista francês Philippe Ariès e outros sociólogos e acadêmicos que estudam temas como a História da Família e da Infância,  constatam que realmente há uma inversão de valores quanto ao padrão familiar que foi modelado conforme o tempo (desde tempos da era medieval até a contemporaneidade). O que era uma família classificada como patriarcal, nuclear e monolítica, tem se transformado em matriarcal, global, em redes sociais e em grupos.

Nessa mudança de cosmovisão que as comunidades enfrentam, também caminha a igreja e creio que esta deve se adaptar à essas modificações, porém há valores inegociáveis que precisam ser defendidos pelos sacerdotes, príncipios da palavra de Deus que devem ser preservados por nós.

Acredito que precisamos de algumas coisas para uma organização saudável familiar (essas que têm sido negligenciadas pela sociedade pós-moderna), como a presença do sexo masculino na criação dos filhos, o respeito entre ambos os cônjuges, a tolerância entre as pessoas e o mais importante e essencial, o amor.

Estou aprendendo aplicar esse elementos com a dinâmica da vida. Passei por alguns problemas meses atrás e um deles foi envolvendo familiares. A princípio, fiz críticas, apontei defeitos existentes, reclamei da situação e joguei toda minha razão na “cara” das pessoas, mas acabei por ferir aqueles que são meus companheiros de teto e, ao invés de resolver o que eu passava, piorei tudo aquilo que estava ruim.

Recentemente, já desmotivado por não conseguir mudar as circunstâncias na qual enfrentava, uma amiga, que foi usada por Deus, disse-me da importância em amar as pessoas, elogiá-las, dar a devida atenção, demonstrar carinho e afeto. Eureka!!!Aquilo foi a única coisa que não pensei em fazer para a resolução do problema.

Somos tão zelosos com a palavra de Deus, com sua obra, com as coisas espirituais que nos esquecemos da nossa própria vida e daqueles que estão ao nosso entorno. Temos um discurso muito lindo, perfeito no papel, porém não recordamos em aplicar tudo aquilo que aprendemos. Falamos tanto em amor, mas não o expressamos no cotidano da vida.

O que minha amiga falou foi um choque para minha alma, acordei do sono teológico e realmente, após mudar minha atitude para com o próximo, o relacionamento com meus familiares tem se transformado diariamente. É, o sono teológico é perigoso…

Agora me lembro uma frase que há muito tempo atrás pude ouvir de meu pai: “Se quisermos mudar as pessoas, então precisamos começar por nós.” Quantas vezes não enxergamos a nós mesmos, mas gostamos de observar o espelho alheio? Outra frase que guardo para minha vida é a de Leon Tolstói, um grande escritor russo do século XIX: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.”

Só sei que, nesse período de turbulência do modelo familiar, das mudanças da pós-modernidade, do relativismo e da quebra de padrões morais e sociais, concluo, com muito esforço e dificuldade, que família ainda é importante. Mas, não basta eu saber, é preciso dar a verdadeira importância para os que são meus.