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Ultimamente tenho lido um pouco sobre o período da Segunda Guerra Mundial e mais especificamente, sobre o Nazismo. Esse que, creio ser um dos grandes movimentos totalitários mais intolerantes e pré-conceituosos do século XX.

O controle tem um poder de influência sobrenatural. É incrível perceber que a Alemanha, uma nação de potência na época, com um nível elevado de educação e cultura (traduza por conhecimento), pôde ser influenciada por Adolph Hitler, que conseguiu organizar um grande exército contra outras nações e um grupo que exterminou várias comunidades, como por exemplo: homossexuais, ciganos e judeus.

Esse período histórico é retratado nos belíssimos filmes como “Olga” e “A Lista de Schindler”. O primeiro é uma jóia, uma das raridades na cinematografia brasileira e relata a bravura e coragem de uma mulher judia de classe média, que lutou pelos interesses políticos do socialismo, buscando ideais de liberdade e igualdade social e contrariando atos de discriminação imposta pelo governo do III Reich. Olga Benário, esposa de Luís Carlos Prestes, se entrega nesse propósito e morre nessa luta no campo de concentração, em Bernburg, numa câmara de gás.

Sobre o “A Lista de Schindler”, temos a história de um homem que pôde salvar a vida de milhares de judeus e, mesmo a fábrica entrando em falência, lutou pelos direitos humanos. Não depositou maior importância nas questões financeiras quando se tratou de pessoas.

Um trecho muito interessantíssimo do filme é a conversa de Amon Goethe (líder do campo de concentração de Plaszow) e Oscar Schindler. Goethe afirma que os judeus obedecem as ordens impostas pela sua liderança, pois ele se utiliza do poder para controlar situações e as almas que estão presas. Porém, Schindler lhe dá uma bela resposta: “Controle é poder. Justiça é diferente de poder. O poder é quando temos justificativa para matar e não matamos. Um ladrão é trazido ao imperador, atira-se ao chão pedindo piedade. Sabe que vai morrer. E então o imperador…o perdoa. Isso é poder Amon, isso é poder.”

Outra pessoa, além de muitas existentes, que resistiu e se pronunciou contra o movimento nazista, foi o pastor e teólogo alemão, Dietrich Bonhoeffer. Uma de suas frases mais célebres é: “Jesus Cristo, e não homem algum ou Estado, é o nosso único Salvador”. Em 9 de Abril de 1945, foi enforcado nos campos de concentrações de Flössenburg.

A resposta da pergunta inicial do texto do blog é: Sim. Realmente controle é poder. E aqui defino poder como sendo sinônimo de autoritarismo, força e coerção. Transcrevo uma passagem do livro “O monge e o Executivo” em que o autor parafraseia o sociólogo Max Weber (este que diferencia “poder” e “autoridade” em The Theory of Social and Economic Organization): “Poder: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer” (p. 26).

Já a autoridade lida com questões totalmente inversas do poder. É a arte de influenciar pessoas através de atitudes, de ações. É algo autêntico, duradouro, eficaz. Não se utiliza de manipulações, nem de questões pessoais para persuadir alguém.

Infelizmente até hoje, muitos líderes como pastores, governantes, empresários, gerentes, pais, generais, utilizam-se da forma mais cruel para tentar manter sua posição hierárquica e autoritária. Porém, houveram pessoas como Schindler, Dietrich Bonhoeffer, Olga Benário, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Vladimir Herzog, dentre tantos outros que nem conhecemos, que demonstraram um modelo de liderança totalmente diferente do que descrevemos anteriormente.

Mas, mais do que essas pessoas, é difícil deixar de se esquecer de Jesus Cristo. Sua atitude como líder nunca foi em obter controle e domínio sobre as pessoas, embora ser o Onipotente e Soberano. O próprio Satanás, em Matheus 4, o tentou oferecendo-o poder sobre todos os reinos da terra, porém Cristo sabia que seu Reino era diferente.

Até mesmo quando as pessoas o rejeitaram, ele questionou seus próprios discípulos: “Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?”. E ai a resposta: “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna.” (João 6:67-68)

As pessoas o seguiam pela capacidade de lidar com as pessoas em amor, na valorização de relacionamentos e não somente pelo seu ministério. Não defendia interesse egocêntricos, mas se fez homem justamente para doar-se. “E ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.” (Marcos 9:35)

Não conquistamos nínguem pelo controle, pelo contrário, ferimos e decepcionamos as pessoas, quando não a matamos. Para demonstrar a verdadeira influência sobre as pessoas, não é necessário gritar e declarar aos quatro cantos do mundo. Margaret Thatcher, ex-primeira ministra britânica, já dizia isso: “Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é.”

Falando agora, mais especificamente sobre lideranças eclesiásticas, oro ao Senhor para que muitos que estão dirigindo o rebanho de Deus, possam rever seus conceitos de pastoreio, autoridade e poder. Há ainda muitos abusos nessa área e várias pessoas têm se chateado, algumas até morrendo espiritualmente. Isso é verificado no livro “Decepcionados com a Graça” e “Evangélicos em Crises” de Paulo Romeiro.

Por fim, termino com um belo verso da música dos Paralamas do Sucesso, “Saber amar”:

” Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio.”

“Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Apocalipse 5:13)