Jeremias

Há um mês atrás, tive o privilégio de visitar com o grupo de missões da minha igreja, uma casa de repouso para idosos. Foi maravilhoso aquela tarde de sábado em que gastamos tempo para conversar e se interagir com eles. Fizemos uma grande festa com bexigas, músicas, doces e salgados. Parecia mais uma confraternização infantil. Experiência maravilhosa e indescritível!!!

Aliás, creio ser uma das coisas que minha geração não tem dado a devida importância: a de lidar com a velhice e com aqueles que estão inseridos nela. Há um enorme abismo (sejam de naturezas físicas, emocionais, mentais) que separa minha juventude a estes anciãos. E isso é triste, já que não estabelecemos uma aproximação, perdemos um tesouro inestimável.

Embora alguns países já possuem uma população idosa numericamente superior as crianças, como a Bulgária, Alemanha, Espanha, Grécia, Itália e Japão, (vide reportagem da VEJA); da mudança na pirâmide etária brasileira que vêm envelhecendo progressivamente; da Lei nº 10.741/03 que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, nosso Brasil ainda apresenta uma grande discriminação e descaso quanto a classe citada. Isso é observado nas extensas filas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), nos hospitais, principalmente de ordem pública, no cotidiano da sociedade. Tratamo-os como se nunca viéssemos a ser um deles.

Nesse asilo, pude cavar terras que escondiam as jóias. Ali, conhecemos uma senhora simpática, de olhos belos e claros, com as marcas da vida impressa em seu rosto. Felicidade não lhe faltava. Rosina nos contagiou, porém existe uma cena que nunca quero esquecer. Chamou-nos pelo nome, Marcio, Rodrigo e Micaele. Estava em sua cama e sentamos ao seu lado. Começou a conversar com a gente e nos deu vários conselhos, além de contar suas experiências de vida. Foi uma conversa enriquecedora para mim.

Em finais de ano e início de uma nova etapa, muitos têm buscado tarólogos, cartomantes, videntes ou algo que lhes possam desvendar o futuro. É assim também nas igrejas evangélicas atualmente, uma corrida aonde tenha a melhor revelação, unção, profecias. Mas naquela tarde percebi que estava do lado de uma profetisa, mesmo que por muitos não fosse considerada como tal.

O livro “Cristianismo Criativo” de Steve Turner (W4 Editora), demonstra que os artista são verdadeiros profetas, pois conseguem visualizar e têm uma percepção da vida e da sociedade para além do comum. São verdadeiros denunciadores da realidade. Também concordo com essa definição de ser profeta, é por isso que também acrescento os idosos nessa categoria.

Sim, ouvirei profetas, ouvirei mais os idosos, ouvirei mais meus pais. Creio que a vida madura destes podem me auxiliar e alertar sobre decisões, atitudes, pensamentos. Nada melhor do que os conselhos desses sábios homens e mulheres que enfrentaram as dificuldades, alegrias, frustrações e euforias da vida. Ainda estão de pé e o que mais querem é serem ouvidos, é compartilhar o que sabem sobre o mundo. Só basta darmos a devida atenção.

Olharei para os profetas de cabelos brancos, de pele enrrugada, marcada pelo sol e pelo cansaço, de difícil e lento caminhar, com dores no corpo. Olharei para as palavras de sabedoria, para os anos vividos, olharei para a verdadeira profecia. Não é aquela que me assegura sobre o domínio de meu futuro, mas a que me alerta sobre os perigos da caminhada e suas consequências.

“O ancião e o varão de respeito, esse é a cabeça; e o profeta que ensina mentiras, esse é a cauda.” – Isaías 9:15