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Ouvindo nesta semana uma das mensagens do Pastor Ricardo, ele disse sobre as três dimensões que a Palavra de Deus atinge no ser humano: intelecto, emoções e as vontades. Pois bem, após definir as três, ele discorreu sobre como nasce a fé. Por exemplo, a fé não nasce simplesmente quando a Palavra de Deus alcança nossa satisfação intelectual, e aqui mora o perigo para os teólogos e grandes pensadores, pois como a própria bíblia diz em II Coríntios 3:6 – “Porque a letra mata e o espírito vivifica”. É lógico que o versículo está falando sobre a Lei, mas também não está proibindo de estudarmos a palavra de Deus, o problema é quando apoiamos nossa fé somente em nossa capacidade do pensamento.

Por outro lado, crer em um Deus simplesmente através das emoções, também é um jogo perigoso e infelizmente, muitas igrejas e líderes evangélicos têm se sustentado nesse viés, achando que é pela euforia, pelas lágrimas e choros que é gerado a fé no coração de seus membros. A palavra de Deus nos diz na parábola do semeador, em que Cristo cita as sementes que caíram em terra rochosa, cresceram um pouco, mas logo morreram, não criaram raízes suficientes. E então dá a explicação a seus discípulos em Marcos 4:16 – “Semelhantemente são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Mas eles não tem raiz em si mesmos, sendo antes de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.”

A fé nasce e cria raízes quando é motivada pelas nossas vontades, gera atitudes, transformações de vida. Se somente pela satisfação intelectual, ela nos mata, por outro, meramente por ser movido em emoções, ela nem sequer nasce. Porém quando ultrapassa e nos conduz a vontades, traz-nos vida. Assim também são minhas leituras diárias. Alguns livros que são mais teóricos, filosóficos e teológicos, somente atingem meu intelecto, dando uma nova visão, porém outros, conseguem transpassar limites, conduzindo-me a mudança. Os que são os biográficos, poéticos, algumas vezes trazem simplesmente sensações momentâneas, mas outros, conseguem impactar minha vida causando profundas metamorfoses em meu ser. Aliás, abrindo um parêntesis, “Metamorfose” será o tema do Acampamento da Betesda.

Uma dessas leituras que tem me incomodado e que gostaria de compartilhar é “Como os pinguins me ajudaram a entender Deus” de Donald Miller. Um livro recomendado pelos meus amigos Thiago Bonfim e Diego Carbone, que conta sobre a biografia de Don, totalmente despretensioso e relata aprendizados, erros, acertos na vida do autor. Acho que pelo fato do livro ser realista, humano e sincero, é que estou me identificando com ele. Alguns capítulos que ainda estou digerindo e pensando sobre mim são: “Mudanças: A história de Penny”, “Confissão: Saindo do armário”, “Solidão: 53 anos de espaço”, “Comunidade: Vivendo com malucos” e “Amor: Como realmente amar outras pessoas”.

Bom, mas no decorrer dos dias compartilharei sobre quais foram minhas impressões, recordações e aprendizados sobre essa leitura instigante. Ela foi comentada por Thiago Bonfim, no site do Café com Livro. Por ora, digo que a fé vem através do ouvir a Palavra de Deus, mas esse ouvir está mais relacionado com mudanças e a prática do que simplesmente aumentar conhecimentos, enriquecer nossos dogmas e a nossa teologia e somente encher-nos de entusiasmos e frenesis religiosos. Somente terei vida e fé quando a Palavra de Deus me transformar, pois como diz Tiago em sua epístola: “A fé sem obras é morta. (Tg. 2:17).

Lembro-me de uma frase do Pastor Ken Kudo, missionário da SEPAL e titular da Igreja Novo Rumo, e quero nunca me esquecer: “A Palavra deve entrar na nossa mente e descer para o nosso coração.” Fé não é medida por aquilo que sabemos ou pelo que sentimos, mas é observada diante do que tem nos causado. A fé é instigante, pertubadora e desafiadora.