Por Marcio Uno

Será que é a pós-modernidade, a globalização
Ou a era “high tech”?
Talvez seja a “sociedade líquida” de Bauman
Ou a tendência de isolar a humanidade com o que é “human”

Valores modificados, abandonados ao tempo
Se há, qual o valor dos valores?
Um alto preço, árduo, tiram-se as máscaras
Onde estão os atores?

Felizes, se entregam em matrimônios
Tomados por impulsos, coisas de momento
“Chronos” vos devoram, acabam com vidas
E trajetórias, com as únicas histórias
Traidores, adúlteros dos sentimentos

A peça já começou, sou platéia por favor
Esqueceram do Diretor (que se dane),
I don´t know too, melhor é a performance:
“And the Oscar goes to…”

Tornei-me um descrente, não
Não me venha com a religião,
Muito menos com a razão
Elas não sabem o que proclamo,
Desconhecem quais são as trilhas do coração

No meio do paradoxo sou tomado por esperança
Aquela, que é a última que morre. Morre?
Deixo sepultado a nostalgia, a magia divina
E tudo o que não é insólito, não me amole

Espere, respondo o questionamento
Se é só ilusão? Ainda creio que
Melhor é frustar-se por tentar
Do que nunca ter tentado
Sim, quero tentar e ser tentado

Consciente sou Marisa Monte
Realmente “Não é fácil”, I know,
Embora enfeitiçado com Renato Russo
Indagando explicações para quem o inventou

Lanço-me nos rios violentos,
Molho cabelos e tornozelos
Ainda nado com bóias, tímido eu
Pouco a pouco mergulho nas correntezas do amor
Aquele que ainda não morreu, Nasceu?