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Por Moisés Alves

Na modernidade surge aquilo que filósofo Max Weber chama de “desencantamento do mundo”. Ao desenrolar da modernidade, nascem os processo de cientificidade e secularização, ate então, fenômenos absolutamente novos para o homem moderno. A humanidade desprende do arcabouço religioso do pensamento para encontrar a razão destituída de sacralidade. A inteligência perde sua perfeição. Bem apropriada a afirmação de São Tomás de Aquino: “a razão é a imperfeição da inteligência”. A inteligência humana abarca não apenas a coerência de raciocínios, de idéias, mas também a intuição, a estética, a emoção, etc.

O cristianismo sofreu muito com esse processo de desencantamento do mundo (lembrando novamente Weber). Uma das grandes perdas do cristianismo nos últimos séculos foi justamente a dimensão mística dos católicos e protestantes. Os católicos foram aprendendo a rezar a partir dos livrinhos impressos pelo Vaticano – a oração passou a ser decorada e mentalizada. Os protestantes mais radicais foram tomando conhecimento que o lugar de orar é no templo e quando não se pode ir ao templo faz sua oração em casa estipulando horários de madrugada. Orar pra eles, diz o professor Rubem Alves: “é suplica, petição, luta com Deus”.

Como você pode perceber, oração também passou por esse processo de desencantamento. Mas a pergunta está ai: Como recuperar a experiência mística mais profunda na América Latina? Se quisermos recuperar essa tradição mística, antes de tudo, em nossa alma, temos muito a aprender com eles: Tertuliano,Gregório de Nicéia, Pseudo-Dionísio, Meister Eckhart, Plotino, Nicolau de Cusa, João da Cruz, Bruno Giordano, John Scotus Eriugena,Tereza de Ávila, Ramon Llull, Bajesid Bostami e Tersteegen. Eles ousaram colocar Deus no centro da subjetividade humana. São João da Cruz consegue desprender a espiritualidade cristã de um Deus distante e punidor, para centralizá-la na relação com Deus-amor que habita no interior de cada pessoa.

A partir das seguintes tradições de experiência mística com o divino aprendemos que oração antes de qualquer coisa é estar com Deus, ser íntimo Dele, ter experiências de amor com Ele, dialogar com Ele, e viver com Ele. E os místicos do deserto fizeram isso muito bem.

Na oração nos deparamos às vezes com o nada, o vazio e o mistério. Mas não se preocupe, na verdade, o “nada tanto quanto o “vazio” são ideogramas numinosos do “totalmente outro”que é o Deus”, na concepção de Rudolf Otto.