Deus está morto.

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Tomo a liberdade de postar um texto que minha amiga Leonara, da ALUMI (Aliança Universitária para Missões), mandou-me por e-mail:

Folha de São Paulo 22/12/2007
Deus está morto. Deus continua morto”?
(“A Gaia Ciência”, Friedrich W. Nietzsche)
Não
O Natal não é um delírio
JOÃO HELIOFAR DE JESUS VILLAR
Parece que nada está mais na moda do que falar mal de Deus.
O mundo assiste a um novo e estranho fenômeno: o ateísmo militante,
evangelista. O que se vê não é apenas o discreto ceticismo inaugurado
por David Hume ou o racionalismo que se levantou a partir do iluminismo
na Europa. O ateísmo tornou-se militante, irado, e quer que Deus
desapareça. Não se trata mais de uma filosófica declaração de que Deus
está morto, mas de um imperativo de que Ele deve ser enterrado.
Talvez nunca se tenham dedicado, simultaneamente, tantas linhas para
atacar e destruir a fé em geral e o cristianismo em particular. Em
edições sucessivas, Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e
Daniel Dennett pregam agressivamente o evangelho ateísta, cuja luz
consiste em esclarecer ao mundo que Deus não passa de uma invenção humana.
E nociva. Segundo o novo evangelho, a religião é incompatível com a
ciência, obscurantista em sua essência, imoral e causadora das guerras e
dos conflitos mais penosos vividos na experiência humana. Deus é um
delírio, afirma Dawkins, e a religião envenena tudo, sustenta Hitchens.
Intriga nisso tudo o silêncio, quase monástico, nas hostes cristãs.
Essas acusações são irrespondíveis?
Tome-se a suposta incompatibilidade da fé em Deus com a ciência. Newton,
Kepler, Lavoisier, Mendel, Galileu e tantos outros não eram cristãos?
Todos conceberam a ciência a partir da idéia de que o universo foi
criado por um ser racional e, por isso, é regido por leis e princípios
que podem ser apreendidos racionalmente.
Como o ateísmo explica a magnífica racionalidade do universo, que se
expressa em linguagem matemática?
A fé judaico-cristã, aliás, foi a primeira a excluir a natureza da
esfera do sagrado e possibilitar sua observação, manipulação e estudo.
Além disso, as grandes universidades nasceram em igrejas: Paris,
Bologna, Oxford, Harvard e Princeton eram seminários cristãos.
A religião envenenou Michelangelo, Dante, Bach, a arquitetura gótica e
tantas outras realizações inconcebíveis sem a fé cristã?
A sociedade ocidental jamais poderá ser compreendida sem os valores
herdados do cristianismo. A compaixão, por exemplo, brilhantemente
ilustrada na parábola do bom samaritano. Seu berço não poderia ser a
Grécia. Os espartanos deixavam os bebês que nasciam mais débeis para
morrer ao relento e Platão flerta abertamente com a eugenia em “A
República”. É o cristianismo que afirma a misericórdia como um valor
inegociável, que constitui o gérmen para o serviço social, a expansão
dos hospitais etc.
Mas a escravidão não foi tolerada por séculos pela cristandade? Na
verdade, a escravidão foi um fenômeno histórico universal: na China e em
toda a Ásia, na África e, inclusive, entre os índios da América
pré-colombiana.
Não encontrou oposição na Grécia, nem mesmo em seu momento mais
luminoso. Nunca foi questionada.
Quando se torna controversa pela primeira vez? A reação vem inicialmente
dos quackers, no século 18, e, em seguida, a concepção de que todos os
homens foram criados iguais inspirou o pietista William Wilberforce a
lutar tenazmente contra o mal no Parlamento inglês até vencê-lo
completamente.
Na verdade, o assalto ateísta não se justifica nem no destaque dado aos
crimes cometidos em nome da fé. A história já mostrou que o fanatismo
mata em todo canto -e muito mais nos sistemas que procuraram erradicar
toda religião. A loucura não exige credo de tipo algum.
Enfim, dezembro é um bom mês para os cristãos saírem do armário.
Não há superioridade intelectual no ateísmo ou, de outro modo, não há
inferioridade intelectual na fé cristã. E muito menos inferioridade moral.
Não há por que se esconder dos pregadores da nova fé secular, agressiva
e militante. O Natal, mesmo nesta era pós-moderna e pós-cristã, é tempo
de afirmar que nada melhor aconteceu à sociedade ocidental do que aquele
estranho evento na Palestina, quando uma jovem judia deu à luz Jesus de
Nazaré.
Que toquem os sinos em Belém

JOÃO HELIOFAR DE JESUS VILLAR, 45, é procurador regional da República da
4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2212200708.htm

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