Um outro Reino

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Conta-se a história que em tempos remotos e em algum lugar do mundo, existiria uma sociedade regida pelo domínio de um reinado. Posteriormente, essa terra seria dividida por várias províncias e cada uma, administrada por um governador.

Aproximando-se do palácio real, seria visível a presença de tropas militares bem munidas, revestidas com armaduras pesadas, formada por homens fortes e de grande vigor, treinados para as mais sangrentas batalhas que poderiam surgir. Além do preparo nas pelejas, também fariam a segurança das províncias e dessa morada. O importante seria a manutenção da ordem e paz na civilização.

Adentrando-se ao recinto político, veriam formosas estátuas, obras de arte, um verdadeiro glamour arquitetônico constituído por materiais das mais diversas composições: ouro, bronze, dentre outros. Chamariam a atenção de qualquer visitante suas majestosas colunas de sustentação e o teto trabalhado pela plenitude artística da época.

Para a organização e o bom funcionamento interno da Casa Real, demandaria um número significativo de mão-de-obra. Todavia, se comparado ao índice populacional do território, esses trabalhadores seriam considerados como verdadeiras pessoas privilegiadas pelo Divino, pois apesar do trabalho e esforço desenvolvido, ali teriam o contato com as melhores especiarias e iguarias daquele mundo, banquetes fartos, encontro entre culturas e línguas predominantes do reino, concentração de conhecimentos e da intelectualidade, figuras e ícones valorizados da sociedade.

Embora essas personagens terem aparentemente um livre acesso pelos cômodos da mansão, somente uma minoria social, quase que exclusividade, compartilhariam a honra de visitar a tão e almejada Sala Real. Seriam nesses recônditos que a Vossa Majestade influenciaria todo o Reino, do Norte ao Sul, do Ocidente ao Oriente. Com sua soberania, decretaria leis, ordenanças e regras que poucos teriam a coragem de questioná-lo. Aliás, questionamentos quase sempre causariam mortes e nas formas mais cruéis. Mesmo diante desse quadro, algumas vezes, corajosos profetas denunciariam as atitudes unilaterais do “todo-poderoso” e na maioria delas, seriam rejeitados tanto pelo palácio, quanto pelo povo.

Saindo do pequeno mundo blindado, encontrariam a maioria da população constituída pelos plebeus (artesãos, comerciantes e agricultores) que sempre viveriam a mercê do medo da escravidão, das dívidas e das altas taxas de imposto cobrados pelo Governo. Além desses, os escravos, que nem sequer teriam alguma dignidade, pois eram vendidos e castigados pelos seus senhores. Enfim, uma maioria social flagelada por vasta pobreza, muita fome, pelo alto índice de mortalidade devido as várias doenças impregnadas na sociedade.

Seriam pelos diversos problemas apresentados e pela opressão social do “todo-poderoso” que a população se iludiria por sempre associar a figura do Rei com Deus, ou seja, a revelação divina através da realeza dominando sobre a terra. Porém as experiências os trariam frustrações. Mesmo assim, alguns esperariam por um salvador da pátria, um Messias, aquele que estabeleceria o trono e reescreveria a história dos plebeus.

Nesse contexto é que surgiria um jovem, de família sem algum prestígio, nascido numa das cidades mais insignificantes da época. Um plebeu que anunciaria um novo Reino e que este seria estabelecido dentre em breve. Começaria sua jornada caminhando e divulgando filosofias e as bases do seu Governo através de discursos, ações humanitárias, críticas às elites sociais e religiosas, assemelhando-se com um estrategista e marqueteiro político, como se apresentasse suas propostas em horário nobre televisivo. E daria certo: sua fama percorreria por todos os lugares.

Como bom populista, atrairia a grande massa para si a ponto de, por onde quer que passasse, a multidão o seguiria. Porém, também faria muitos inimigos implacáveis que esperariam o momento certo para prender-lhe. Proporcional ao aumento do reconhecimento popular, viriam as ofensas, invejas e perturbações de tantos outros. Na verdade, somente um pequeno grupo seriam os companheiros da jornada, seus “apoiadores e assessores políticos” que mesmo assim o deixaria sozinho. 

Um dos últimos  fatos para gerar polêmica e grande tensão em todo o território, seriam na sua última semana de vida, quando entraria em triunfo nas terras aclamado por todo o povo como o rei dos plebeus. Todos esperariam o surgimento do governo e o domínio do palácio. Alguns desses que o exaltava como a Vossa Majestade, dias depois proclamariam sua crucificação. Outros, como os soldados, fariam uma coroa de espinhos e repartiriam suas vestes zombando de seu poder real. Pediriam para descer da cruz, para demonstrar o que diriam ser. Morreria o possível Messias. Morreria o político, o estrategista, o subversivo, o humanitário e defensor social. Mais uma vez morreria a esperança dos plebeus e escravos.

Infelizmente, poucos entenderiam que naquela vida habitaria um nova natureza de Reino. Não seria um déspota, mas governaria pelo e através do amor; Não se tornaria um justiceiro, porém lutaria pela justiça; Não se sentaria num trono, nem moraria numa Casa Real, todavia andaria e viveria no meio dos plebeus, escravos, poderosos e da elite; Não arrecadaria receitas para as finanças do governo, mas dividiria seus bens aos mais necessitados. Não queria poder e fama, porém traria dignidade e respeito para as pessoas.

Apesar de seu Reino não ser pacífico, militar, forte, imponente, ganancioso, político e dos plebeus, traria a paz, formaria um exército de pescadores de homens, utilizaria da fraqueza e humilhação para a demonstração de poder, daria sentido, missão e desafios para seus pertencentes, divulgaria a não-exclusividade, pois Ele é chegado a todos.

Após muitos anos, várias pessoas ainda esperariam pelo Messias, outros esqueceriam, perderiam as esperanças. Há alguns que nem saberiam e desconheceriam os fatos relatados. Embora todos esses, apareceriam pessoas que divulgariam o mesmo Reino de tantos anos atrás, encarnariam uma vida com dignidade, lutariam pelos mesmos ideais do movimento. Compartilhariam a igualdade social, a justiça, a paz, a tolerância, a inclusão, a verdade, a humildade, o amor. Não trasmitiriam um reino que todos conhecem, mas valores de um outro Reino.

  

             

   

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