Exclusividade do Reino?

 

Por Thiago Gonçalves

Vivemos num mundo onde a exclusividade é mais uma palavra-chave, onde ser único dá um gostinho de supremacia. Onde ser VIP é chique, onde ter o único carro ou a única garrafa de whisky representa uma singularidade que deveria ser modelo, afinal, só os bons são capazes. Onde ter um super lançamento na mão atrai olhares surpresos. Onde hoje, o exuberante não se demonstra na beleza da vida, mas na unicidade do ser.

Convivemos num padrão de vida que não é mais focado na simplicidade, na humildade. O discurso está em ser cabeça e não cauda, em conquistar, em poder. O sentido de dar tudo o que temos, de compartilhar, de amparar, se perde na lógica da vida moderna.

O modelo que o sistema impõe está estampado na capa da revista: quanto mais novo, mais rico e mais corrido, melhor. Está nos best-sellers com os passos para alcançar a felicidade à hegemonia financeira.

Exclusividade que remete ser especial, ser separado, ser escolhido, ser eleito, ser único. Que na atual mensagem da proclamação se resume à exclusividade de que “estar no Reino” é o que interessa, enquanto o mundo está se acabando. Onde acudir, socorrer, defender o próximo não mais importa, já que meu destino está selado. Onde a “certeza” da minha exclusividade é o que interessa.

Vivemos num mundo onde fazer parte do ciclo dos nobres, da burguesia, da classe alta são para poucos, é vantajoso, é almejado. Nossa existência se resume na busca deste modelo que notadamente reflete no discurso do Reino, afinal lá também são para poucos, só aos que tem cacife para adentrá-lo.

Mas com a verdadeira mensagem nos deparamos com uma lógica totalmente avessa, com um raciocínio antagônico ao qual convivemos. Temos como exemplo de vida um Messias que jamais falou de exclusividade, mas que proclama um Reino inclusivo. Que sentava junto com os escorraçados, que chamava a atenção aos desprezados, que advertiu contra essa falsa ideologia de estar no topo, até mesmo recusando-a. Um Messias que não favorecia exclusividade, mas que se importava em incluir vidas.

A proclamação do Reino pertence aos que são como crianças (Mt 18): sem maldade, sem ser separatista e se dar privilégios, sem buscar falsas riquezas, sendo humildes, simples, queridas, inclusivas. Que na sua ingenuidade abraça, recebe e ama.

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3 comentários sobre “Exclusividade do Reino?

  1. jussara

    Bom texto, tanto NO, como Do Reino, é aplicável tambem ao neo-teologismo, que é muito bom no discurso – teoria dez, prática zero – e no pre-conceito intelectual.
    Gostei Thiago, parabéns!!

  2. Pingback: Em Comemoração aos 5 anos do Caminhada & Missão… « Caminhada & Missão

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