Leia a Bíblia como o Pequeno Príncipe

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Imagem extraída do blog: evefelix.blogspot.com/2008/12/fernanda-young.html

Por Marcio Uno

No final do ano passado, reli um dos livros que me fez recordar bons momentos de minha infância.

Dos vários presentes que já ganhei na fase pueril, livros são uma das dádivas que tenho mais saudades. Por volta dos 5 anos, ganhei de alguém “O Pequeno Príncipe”. A obra ficava em cima da estante. Para pegá-la, eu subia em tudo que estava na minha frente e ficava folheando as páginas ilustradas da literatura. As horas das tardes voavam e eu viajava nas gravuras que fixavam meus olhos.

Saint Exupery estava correto: este livro foi feito para os pequeninos. Embora ainda não saber ler, através das imagens e das letras, eu criava um enredo e um sentido para a história. Não estava preocupado se minha leitura estava alinhada com a dos adultos, mas meu prazer se encontrava nos dizeres de um coração ingênuo e sincero contido naquele corpo franzino.

Relendo a obra, agora homem grande, não percebi a beleza da poesia e as metáforas contidas no livro que antes me impressionava. Somente numa segunda leitura foi que elaborei e recordei muitos significados preciosos que estavam diante de meus olhos e tinham sido escapados por minh’alma. É, já não era mais uma criança.

Um dos trechos incríveis que me chama a atenção no livro está em seu começo. O narrador pergunta para o pequeno o que ele vê diante de uma determinada imagem. A esperada resposta seria um chapéu, porém os pequenos olhos exergam para além, um elefante tragado por uma cobra.

imagesImagem em: http://adtudo.wordpress.com/2009/07/08/pessoas-grandes/

A forma oral de relatar histórias na antiguidade é muito rica. Os povos antigos se utilizam de diversos gêneros narrativos como lendas, mitos, contos, epopéias, poemas e fatos históricos para transmitir suas mensagens, seus princípios, suas crenças e cosmovisões. A Bíblia, por ser uma coletânea literária influenciada neste contexto, também é encharcada nestas múltiplas linguagens.

Longe de mim querer invalidar o texto bíblico para a construção da nossa fé. Pelo contrário, os registros judaicos são belíssimos pela arte que os envolvem. O relato da criação é um dos quadros mais valiosos que se encontra na galeria principal da pinacoteca mais famosa do mundo para transmitir a mensagem sobre a arquitetura divina na formação do mundo e da humanidade. 

Então, qual é a inspiração da Bíblia? Inspirado pelo divino são as mensagens que nela se encontra e não no literalismo míope. Conforme Thiago Bonfim, ” A mensagem não está na capa, sempre nas entrelinhas”. É transcedental, pois ultrapassa as obviedades.

Amadurecemos. Se já deixamos pelo caminho uma leitura fundamentalista e dogmática do texto bíblico, é necessária coragem e sensibilidade para ampliar as lentes de cabresto.  Pois bem, a ingenuidade se encontra em nós, adultos, que nos achamos expert e detentores de todo o conhecimento do livro preto dos crentes. Deve ser por isso que Jesus falava aos seus discípulos em parábolas e dizia que o seu Reino pertencia as crianças. Elas sim, são as melhores poetisas da vida.

O pote de ouro se encontra no final do arco-íris. A riqueza se faz para além da letra, na alma. É como a realeza e o encanto do olhar do Pequeno Príncipe, pois como diz o autor “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

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