Comer, Rezar, Amar

Imagem Extraída de: http://g4l-gangstersforlife.blogspot.com/2010/04/assista-ao-trailer-de-comer-rezar-amar.html

Por Marcio Uno

Há livros que, no final da leitura, fecho suas páginas com um “Amém”. São verdadeiras orações expressas em literatura que estabelecem um diálogo entre minh’alma e o divino.

Em outras ocasiões, algumas biografias e exemplos de pessoas carregam-me para uma conversão de vida, produzindo esperança em meu coração diante da apatia e injustiça estampada na humanidade.

Pois bem, faz duas semanas que fui ao cinema com minha esposa. Não, não! Apesar da estreia do filme nacional “Tropa de Elite 2” (com 3 salas lotadas cada sessão), optamos por assistir o filme “Comer, Rezar, Amar” contracenado com Julia Roberts e que foi adaptado às telas, tendo como referência o best-seller autobiográfico de Elizabeth Gilbert.

Apesar das críticas de cinéfilos, achei a obra maravilhosa!!! Conta-se sobre a experiência de uma mulher norteamericana de classe média que, no meio de suas crises existenciais, resolve caminhar pelo mundo durante 1 ano. Nesta trajetória Liz descobre o equilíbrio da vida: “Assim, quis explorar a arte do prazer na Itália, a arte da devoção na Índia, e, na Indonésia, a arte de equilibrar as duas coisas.”

Mas para assistir ao filme é necessário que o espectador arranque suas viseiras religiosas, pois “Comer, Rezar, Amar” retrata sobre religiões e filosofias que nós, ocidentais, não estamos comumente acostumados como o xamanismo, hinduísmo e o budismo. É neste caleidoscópio cultural que temos muito que aprender com tais valores e crenças.

Destaco aqui, a expressão “dolce far niente” aprendida por Elizabeth na Itália, cujo significado literal é “doce fazer nada” ou então, “prazer de não fazer nada”. A ociosidade propicia a Liz a sentar-se à mesa, comer e saborear os pratos italianos, conversar com amigos e ganhar alguns quilinhos.

No mundo envolvido pelo consumo, trabalho, desempenho e pelas mudanças bruscas, o shabat (descanso judaico) é fundamental. A crítica do cabeleireiro italiano à sociedade americanizada fez Liz repensar sobre o ritmo de vida acelerado e desgastante que levava, quando comparado a ociosidade e a labuta.

Prosseguindo seu caminho, na Índia ela tem o encontro com a espiritualidade, meditação e o autoconhecimento. Mais do que falar para Deus, Elizabeth compreende a importância da kenosis, do esvaziamento de si mesmo. O exercício é fundamental para escutar: tanto contemplar o transcendente quanto a si próprio. Também serve de bom remédio para as crises de ansiedade e neuroses da modernidade.

Numa das ilhas paradisíacas da Indonésia – Bali – cujo nome deriva do sânscrito que significa “adoração”, “culto”, a viajante oferece um verdadeiro sacrifício a Deus: encontra-se com o amor e a bondade. Conheceu o brasileiro “Felipe” por quem se apaixonou e se casou; Conseguiu arrecadar com seus amigos, donativos para a construção da casa de Wayan, uma curandeira balinesa pobre, mãe solteira e que se dedicava ao cuidado de órfãos.

No dilema de conciliar o amor carnal e seus exercícios espirituais diários (oração, meditação, etc), ela aprende com seu velho e conhecido xamã, Ketut, um belo conselho: “Às vezes, perder o equilíbrio por amor faz parte de uma vida equilibrada”. O sábio ancião a auxilia na compreensão de que nem sempre há um dualismo entre o prazer mundano e a transcendência divina e, que ambos podem relacionar-se entre si.

Surgem a música e os créditos finais na tela. As luzes iluminam o auditório. Levanto-me extasiado e entusiasmado (cheio de Deus) pela vida. A obra abasteceu-me com combustível necessário para trilhar longas milhas….

Anúncios

2 comentários sobre “Comer, Rezar, Amar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s