Série 5 Anos do Caminhada: “Amigos do Alvorecer” – Marcio Uno

Imagem Extraída de: http://marihmenezesblog.blogspot.com.br/#!/2012/03/alvorecer.html

Por Marcio Uno

Acometido pela magia, sustento minha alma com as Palavras. Às vezes, parecem que são as únicas companheiras. Por outras, traçam fugas pelos trajetos obscuros e se evaporam. Calam os lábios da essência, poupam os ouvidos alheios.

Ainda, o ato solitário revigora ao porvir: Resgata-me!!!

Contudo, é tentador se tornar confrade dos vocábulos. O fruto melancólico de termos traz vertigem: um diálogo carnal imaginário. O mesmo antídoto se torna veneno a quem o utiliza indiscriminadamente.

Enlaçado por frases e orações, recordo-me das refeições familiares e da mesa de bar. É momento de conversão, compartilhar e dar vida às digeridas expressões silábicas com os demais presentes. Não, não há considerações matemáticas – quantidade de pessoas, números de encontros, etc. Levam-se em conta a história, momentos, parcerias e companhia, mesmo que esta não seja palpável.

Reluto para não ser inimigo de Chronos. A personificação do Tempo demonstrou-me ser soberana. Humildemente, reduzo a ansiedade juvenil e o imediatismo. Há de se admitir que ninguém tem o controle implacável da vida e a sentença “laissez faire, laissez aller, laissez passer” é o melhor coquetel para a desesperança. Fluidez, a maestria das águas temporais.

Rendo-me ao espelho da alma. Que se faça imperativo e tome a integralidade do meu ser. É na contemplação da cristalinidade dos aquíferos que se irrompe dos recônditos a imagem real e transparece a a natureza genética. Bela autofagia!!!

Enfim, na tormenta, no caos: apalpo os bolsos da calça e encontro, de um lado, “Meia Dúzia de Palavras e Pessoas” e, do outro, o “Tempo” e “Deus”. São estes poucos e suficientes amigos que decido manter como meus cúmplices diante dos passos dados ao encontro das surpresas da vida e quem me auxiliam a, vagarosamente, deixar a toca da penumbra e avistar cores no firmamento.

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Um comentário sobre “Série 5 Anos do Caminhada: “Amigos do Alvorecer” – Marcio Uno

  1. claudia gomes

    Que texto lindo e profundo Marcio…este último parágrafo

    ” Enfim, na tormenta, no caos: apalpo os bolsos da calça e encontro, de um lado, “Meia Dúzia de Palavras e Pessoas” e, do outro, o “Tempo” e “Deus”. São estes poucos e suficientes amigos que decido manter como meus cúmplices diante dos passos dados ao encontro das surpresas da vida e quem me auxiliam a, vagarosamente, deixar a toca da penumbra e avistar cores no firmamento”

    É por ai, simbora ” avistaras cores do firmamento” bj

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