A Nostalgia de um Futuro Incerto

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Imagem Extraída de http://julimarmurat.blogspot.com.br/2011/05/o-que-e-o-amor.html

Por Marcio Uno

“I still haven´t found what I´m looking for…I have run…Only to be with you…But…I believe…Then all the colors will bleed into one…” – U2 – I still haven´t found what I´m looking for

Tenho a impressão de ter deixado algo para trás. Sinto falta daquilo que escapou das mãos e fez morada nas crateras noturnas. A ausência do olvidável. Constantemente, a saudade bate a porta procurando pelo espaço reservado. Há momentos que estendo tapetes, convido-a simpaticamente para conversas vespertinas. Noutros, cerro os acessos com trincos de ferro e deito-me tapando os ouvidos com os santos e providenciais travesseiros.

O chuvisco das pedras caindo ao telhado faz precedência à inconsciência: Donde é que o perdido se fez presente? Ou o sumido será conjugado em tempo oportuno? Bem, as vagas recordações dos dias pretéritos, as palavras fugazes ao presente e os destinos obscuros são revelações, nos turvos vitrais embaçados pela neblina, de vultos do corpo nu aquecido por vapor de água e à excitação do etéreo prazer.

Na varanda iluminada pela lua cheia, instantes de satisfação são gozados. Abraçar o vento e ser beijado por lábios partidos;  Acariciar a gélida brisa da madrugada e sentir o toque suave ao rosto; Derramar lágrimas no colo da grama e ouvir o canto melódico e compassado do grilo; Contemplar a beleza da flor campestre e ser embalsamado pela fragância espalhada defronte a porteira; Massagear as águas cristalinas que saem das rochas e experimentar calafrios dormentes e palpitantes pelo corpo; Emaranhar-se nos olhos cintilantes das estrelas e ganhar um sorriso celeste de mil anos luz.

A claridade toma conta do quarto. Há um mundo lá fora e este não rodeia encontros, proporciona-os. Pulo a janela, vejo a madeira se transformando em fumaça, pequenas gotas de orvalho se evaporando com os primeiros raios, as pétalas da antemanhã desabrochando e os sons dos eucaliptos agitados. Debaixo de um destes, apanho um punhado de folhas secas e lanço-as aos ares aguardando a Sra. Consequência mostrar os seios de sua face. Cansado, retorno ao lar.

Abro a estante, tiro o pó do livro da vida e folheio algumas de suas páginas. Sento na poltrona: José Saramago é a inspiração duradoura e ensina que a intensidade é maior que os ponteiros do relógio. Aliás, são estes que farão aperfeiçoar o afeto e alargar os braços para a plena e eterna recepção da essência. Do desejo, a dúvida é parte integrante e arriscar-se traz valia simplesmente pelo amável platonismo.

Despretensiosamente, calço os pés e novamente saio brincando pelo quintal…

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2 comentários sobre “A Nostalgia de um Futuro Incerto

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