Um(a) (Ac)Ode Urbano(a)

metropole

Imagem Extraída de: http://movimentonovospoetas.blogspot.com.br/2013/09/metropole.html

Por Marcio Uno

O sol que se empina e massacra o asfalto
Sentidos perturbados entre os arranha-céus de basalto
Só não se desintegra a capacidade de criar pegadas
Da mente que divaga sobre as imagens captadas

Diante do santuário moderno, devoção ao centro comercial
Na larga calçada do formigueiro, espaços são minorias
Não se sabe se há mais pessoas ou mercadorias
Detalhe para os feriados e os santos dias:
Das mães, dos pais, carnaval, páscoa, natal

Ao redor da longa avenida multiplicam-se mundos
Livraria, museu, restaurante, parque, cinema…
Arte, literatura, gastronomia, lazer e ambientes fecundos
Com misturas de raças, idiomas, dialetos e fonemas

Nuvens de fumaça atingem as pedras do horizonte
O calor misturado à camada cinza de poeira
Denota a vida asfixiante e atordoante
Poluentes viciantes de forma sobremaneira
Que sendo tragada a vitalidade, oferece refrigério ao dependente

Há remédio ao tédio e veneno ao comodismo?
Acordar, andar de transporte público, dormir, pechinchar e trabalhar
Correr, descansar, fazer caridades, estudar línguas, rezar, viajar
Beber e comer com amigos, discutir, cantar e dançar sem eufemismos
Tocar instrumentos, ler, escrever, chorar, sorrir e malhar

A sociedade que se escorre pelas galerias subterrâneas
Relações das quais: profissionais, formais, instrumentais, temporárias
Desconfiança, instabilidades, contingências, liberdade ao efêmero!
Bauman, o profeta polonês sendo lido com atenção e desespero

Santa metrópole!!! Reverência ao anonimato…
Multidão de solitários, sem culpas nem flagrantes, à vontade
A abstenção da segurança em prol da liberdade
Vergonha, timidez e cautela não se comem em nenhum prato

A trombada é inevitável, já a desculpa, ignorada
O trânsito caótico é acelerado e sem educação
Sons e barulhos irritantes, síndrome do pânico menosprezada
A sudorese se dilui juntamente com a arritmia e a tensão
Alta ou Baixa, Pouca ou Muita: Pressão, PREssão, PRESSão…

No vão de entrada do metrô, bigodes
E dedilhados e batidas do violão
A espera de trocados colocados no chapéu sobre o chão
Um acorde, dois acordes, três acordes
A emoção peleja contra a escuridão

Teria como epíteto ideal o poema insano
De “Um Acode Urbano”
Ou a alcunha da imperfeita lírica humana
De “Uma Ode Urbana”?

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8 comentários sobre “Um(a) (Ac)Ode Urbano(a)

  1. Erick

    Márcio, daqui a pouco um graduado não vai conseguir ler seus textos de tantas palavras complexas uhauhuahuuahuauahua me ajuda ae!!! Assim vou ter que fazer Harvard…

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