Leviandades

lagrima-urbana

Por Marcio Uno

A gente???

Se a gente levasse a sério…

…iria às ruas não para trocar o ladrão, mas pedir pela reforma do perverso sistema que sustenta as quadrilhas; Hastearia as cores brasileiras, entretanto não discriminaria o povo nordestino que integra nossa nação; Cobraria que as políticas governamentais passassem de eleitoreiras para as que tivessem um planejamento de médio a longo prazo; Brigaria pelo combate à corrupção e por melhorias no plural: todas as esferas e poderes; Deixaria de ser manobra de tensão dentre uma bipolarização partidária para se mostrar como instrumento autônomo de mudanças profundas e efetivas na política;

…lutaria por uma revolução no sistema educacional, exigindo que o currículo acima de tudo fosse produtor de espírito crítico, de reflexão, de vivências e aprendizados cotidianos, de cidadania, de coletividade e de política; Daria mais importância aos profissionais da educação e prestaria atenção no que estes necessitam falar; Preocupar-se-ia menos com o vestibular, mais com a formação humana; Olharia, enquanto responsáveis dos educandos, também para o quintal de casa e menos para o pátio do colégio;

…produziria menos lixo e o jogaria em lugar apropriado; Recolheria os insumos deixados por outra pessoa nos estádios de futebol, shows, peças de teatro, eventos; Reciclaria mais, plantaria árvores e cultivaria jardins; Preferiria preservação a degradação; Utilizaria água de forma consciente e responsável; Usaria mais os transportes coletivos, as bicicletas, os pés; Abraçaria a Amazônia, as praias, as reservas indígenas e ambientais, os mananciais, os rios, como se fossem um filho unigênito;

…ouviria as mesmas notícias das mais variadas fontes e não engoliria os noticiários diários televisivos; Permaneceria mais com a televisão desligada do que com um livro fechado; Envolver-se-ia menos com futilidades desprezíveis; Buscaria inspirações em pessoas de caráter, de integridade, de biografia exemplar, de histórias de superação e esperança, sinônimos de resiliência; Cuidaria mais daqueles que estão ao seu redor; Gastaria o pequeno tempo que se tem na vida com atitudes singulares e nobres;

…se indignaria com a morte da criança rica tal como a do pobre, com a corrupção tal como a economia estagnada, com o aumento dos combustíveis tal como dos transportes públicos, com a elevação abusiva da tabela dos planos de saúde tal como a falta de atendimento nos hospitais públicos do país, com a arrecadação do Governo com o imposto de renda tal como a deficiência dos serviços ofertados pelo Estado; Protegeria as crianças, os idosos, os injustiçados, os oprimidos; Abriria mão dos privilégios e dos conhecidos “jeitinhos” para dar lugar aos mais necessitados;

…respeitaria a faixa de pedestre, o acostamento, a ciclovia e ciclofaixa, as vagas destinadas às pessoas com deficiência, os bancos reservados aos idosos, gestantes, enfermos; Precisaria menos das cobranças do próximo, das tutelas do Estado e das legislações para se lembrar de determinadas posturas; Cultivaria a alma pela coletividade;

…com tudo isso, e ainda assim conseguir não ser arrogante, legalista, chato, rígido, intolerante ou insensato.

E eles???

Se eles fossem sérios…

O Brasil???

O Brasil não é levado a sério.

Sério???

Sério!!!

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2 comentários sobre “Leviandades

  1. Malu Rizardi

    É, Márcio, há muitos motivos para nos indignarmos… Todavia, por mais difícil que seja, não podemos parar de acreditar que talvez um dia…

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