Bolsonaro não é “O Ditador”. Ele é O Caminho!!!

Imagem Extraída de: http://passapalavra.info/2009/11/15523

Lá no futuro, quando barbáries tomarem vulto e o mal se banalizar, não valerá o argumento: “Ah, eu fui ingênuo”. – Pastor Ricardo Gondim no texto “A Banalização do Mal”

Por Marcio Uno

Votei em Ciro Gomes no primeiro turno das eleições. Decidi por convicção e não para ser um “voto útil” contra a polarização antipetista versus antibolsonariana. Cri que o projeto nacional desenvolvimentista era o melhor ao país. Enfim, página virada.

Bolsonaro quase levou a presidência domingo passado, tendo pouco mais de 46% dos votos válidos. Agropecuários, corporações militares e religiosas, grandes empresários e o mercado financeiro já batem continência ao capitão e seu partido conseguiu eleger a segunda maior bancada na Câmara.

Para que seja confirmada a tendência e o anseio popular, falta-lhe transpor as últimas pedras no meio do caminho: Haddad e o lulopetismo. Vencendo, a pergunta que incomoda alguns ou anima outros é: como seria o governo do pesselista? Haveria espaço para uma ditadura militar nos moldes dos anos 1960-1980 no Brasil?

Afirmo o seguinte: Bolsonaro não é “O Ditador”. E, antes dos meus colegas do campo progressista desistirem da leitura, explico-me: Ele é O Caminho!!! É mais um representante do sistema que se materializa frente à áurea conservadora e fascista no qual se espalha pelo país e ao redor do mundo.

Em seu último discurso, antes de ser preso, o ex-presidente Lula declarou que seu nome representava uma ideia. Aqui, cabem semelhanças ao fenômeno mais recente. Na República do Brasil tivemos, como exemplo, a iconografia do getulismo, juscelinismo, malufismo, lulopetismo e, agora, surge o bolsonarismo enquanto movimento político.

Voltando a pergunta acima, creio que dificilmente o governo bolsonariano usaria as mesmas roupagens conhecidas nas ditaduras militares ocorridas no período da Guerra Fria. Se há algo a ser elogiado nestas corporações é o uso inteligente da estratégia. Possuem um guarda-roupa cheio e vestem-se conforme as condições climáticas. Ainda assim, é inegável a percepção do vento de autoritarismo, violência, misoginia, xenofobismo e homofobia que sopra pelos ares.

Para governar com autoritarismo, Bolsonaro não precisará fechar o Congresso Nacional; com a grande bancada formada pelos setores conservadores tais como os militares e religiosos e os tradicionais agropecuários, latifundiários e grandes empresários, poderá aprovar injustas reformas previdenciárias e trabalhistas, leis que desfavorecem a inclusão das minorias e que firam princípios básicos de direitos humanos. Tudo com o aval do alinhamento ideológico norte-americano.

Transcendendo as vias governamentais, muitos dos atos ditatoriais nem sequer passe por Brasília. Com um exército civil que cada vez mais é arregimentado pelos discursos inflamados do capitão, a barbárie poderá ser cometida através de seu próprio eleitorado. Aqui, faço justiça e abro parênteses para definir que os tresloucados são uma parte pequena que lhe dá apoio. A maioria são brasileiros que almejam a mudança e estão decepcionados com a política, a corrupção generalizada e com o PT. Totalmente compreensível.

Porém, assim como o lulopetismo, surge uma militância cega, passional, idólatra e extremista no bolsonarismo. Na verdade ela não nasce, sai do armário e se revela através de um roteiro fascista e na expansão da direita no país. Se no lulopetismo temos a alimentação dos militantes com a divisão de classes, o paternalismo e o populismo, Bolsonaro é mais um dentre os representantes que atua como um grande porta-voz e fomenta seus liderados com retóricas enérgicas, odientas, violentas, homofóbicas, racistas e misóginas.

A oratória chancelará os atos de violência particulares dos tais “bolsominions”. Ao invés de invasões em universidades e congressos estudantis para a prisão dos considerados comunistas e opositores ao sistema, teremos o assédio moral e perseguição de estudantes pobres, negros e homossexuais realizados pelos próprios colegas e professores; DOPS´s serão descentralizados e estarão espalhados por todo canto e haverá espíritos de Sérgios Fleury´s e Coronéis Ustra’s enraizados nas mentes que aplaudirão a tortura psicológica, sexual, emocional e, em algumas ocasiões, chegando às vias físicas; a liberdade de expressão será tolhida com a perseguição a quem se utiliza vestimentas de determinadas cores, apresentam trejeitos específicos ou que simplesmente não concorde com as políticas e bases do governo; pobres serão taxados como preguiçosos, vagabundos e desinteressados. Afinal, a meritocracia imperará.

No afã pelo combate à violência e ao crime organizado e estabelecendo maiores prerrogativas ao trabalho policial, excessos de atuação, mortes de muitos inocentes e ferimento dos princípios básicos dos direitos humanos poderão ser intensificados pela atividade militar.

Líderes religiosos, aqueles que deveriam ser os primeiros a denunciarem regimes totalitários e as injustiças, reforçarão a intolerância através do moralismo exacerbado e em nome de Deus. E, nada melhor para se compreender este processo, cito dois filmes – “A Onda” de Denis Gansel e “A Fita Branca” de Michael Haneke – cujos temas demonstram que a realidade social e a falta de autocrítica vão levando os protagonistas na construção de abismos que estes mesmos cairão: um autofagismo da sociedade brasileira.

Habemus Frankenstein!!! O governo de Bolsonaro poderá trilhar por três caminhos: combater as aberrações o que frustraria boa parte de seu eleitorado; demonstrar fidelidade aos eleitores alimentando os militantes fervorosos com atos fascistas e frases de efeito: “sou favorável à tortura, tu sabe disso. E o povo é favorável também”, “não empregaria (homens e mulheres) com o mesmo salário”, “seria incapaz de amar um filho homossexual…Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”, “olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriadores servem mais”, “As minorias têm que se curvar para as maiorias”; ou então, fazer vistas grossas da externalização da violência verbalizada por seus defensores. Uma velada ditadura travestida de democracia.

Diante do caos, o que sobra é uma maioria que nele votou e assim possam pensar: “não sou racista, nem homofóbico”; “não cometo violência, muito menos a misoginia”. Entretanto, a omissão poderá ser tão cruel quanto o pecado da intolerância.

Termino esclarecendo o tom profético desse texto. E a palavra profecia não deve ser entendida como sinônimo de onisciência. Aos hebreus, profetas eram usados para alertar o povo sobre algo que poderia ocorrer, caso não tomassem providências. E, seu trabalho atingia os objetivos quando, por meio de ações corretivas, tal predição não ocorresse. Sem petulância, espero que tal análise esteja equivocada ou que rumos sejam corrigidos enquanto é tempo.

Independente do futuro resta saber se, aquele que se alimenta desse texto, tem o desejo de que seja tudo isso um lindo sonho ou um grande pesadelo? Assim, revelam-se os homens…

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