Indignai-me, para manter-me digno

Sordidez mascarada
Imagem Extraída de: http://amo-sim.blogspot.com.br/2011/04/indignacao.html

Por Marcio Uno

Ai minha indignação!!!
Ai minha indignação!!!
Ai minha indignação!!!

Que juntamente com a ambição traz tortura à honesta existência
E com a ferida da inimizade atinge ao ego inflamado por razões

Golpeia o descanso, dilacera as entranhas e chamusca o pobre corpo
Não se conforma com a tarefa insípida para ainda trazer perturbações em moléstias indagações?

Ainda resta a persistência para tê-la como colega, ou quem sabe, amiga íntima?

Como tecer o elo entre a leveza da dança e a árdua pisada da conquista?
Há perspectivas de se encontrar a homeostasia para a paráfrase epistolar: “Indignai-vos e não pequeis”?

Declara guerra ao universo quando se hasteia a flâmula branca no coração?
De onde encontra forças para enfrentar a injustiça e como abre espaços para a admissão da franqueza frente às consequências da luta travada?

Quando se tiver saúde é ser enfermo de amor e ódio; e
A sanidade perpassar pelos caminhos do delírio,
Qual a dose administrada do emplastro cujo rótulo expõe contraindicações substanciais para o ferido organismo?

Se o discurso contamina as decisões, o caráter se mistura com a obscura personalidade,
Como separar o joio do trigo, as ideias dos ideais ou até mesmo o platonismo daquilo que é real?

Ignora a amplitude da essência a fim de não ser parte do que lhe é abjeto, dissimula-se nas máscaras criando falsos enredos e ainda sobra coragem para recitar, com soberba, o epílogo da mitologia dos deuses?

Qual o sentido de querer se dar existência ao egoísmo humano ou de celebrar a inutilidade com uma medalha no peito? Não são nos momentos de desesperança que se faz valer a fé nas transformações coletivas?

O espelho, ainda que seja ao entardecer do dia, se emerge das águas oceânicas e não ofusca a visão dos pescadores que estão ao redor. A nítida imagem coloca a obediência e a subserviência ao lado da vitimização, enquanto que a rebeldia e a insurreição mostram-se como atos de responsabilidade.

Abro portas ao transtorno infernal e dele, faço recepção aos caminhos nivelados da lúcida transgressão mental:
Confusões, Confusões, Confusões!!!

Na cartilha da vida, aproprio-me da honra como verbo e, enquanto adjetivo, da integridade
E para manter-me digno, faz-me o mantra:

Ai, Ai-me, Ai!!
Indignai-me…
..Indignai-me,
Indignai-me!!!

Curai-me,
Curai-me,
Curai-me!!!

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Leviandades

lagrima-urbana

Por Marcio Uno

A gente???

Se a gente levasse a sério…

…iria às ruas não para trocar o ladrão, mas pedir pela reforma do perverso sistema que sustenta as quadrilhas; Hastearia as cores brasileiras, entretanto não discriminaria o povo nordestino que integra nossa nação; Cobraria que as políticas governamentais passassem de eleitoreiras para as que tivessem um planejamento de médio a longo prazo; Brigaria pelo combate à corrupção e por melhorias no plural: todas as esferas e poderes; Deixaria de ser manobra de tensão dentre uma bipolarização partidária para se mostrar como instrumento autônomo de mudanças profundas e efetivas na política;

…lutaria por uma revolução no sistema educacional, exigindo que o currículo acima de tudo fosse produtor de espírito crítico, de reflexão, de vivências e aprendizados cotidianos, de cidadania, de coletividade e de política; Daria mais importância aos profissionais da educação e prestaria atenção no que estes necessitam falar; Preocupar-se-ia menos com o vestibular, mais com a formação humana; Olharia, enquanto responsáveis dos educandos, também para o quintal de casa e menos para o pátio do colégio;

…produziria menos lixo e o jogaria em lugar apropriado; Recolheria os insumos deixados por outra pessoa nos estádios de futebol, shows, peças de teatro, eventos; Reciclaria mais, plantaria árvores e cultivaria jardins; Preferiria preservação a degradação; Utilizaria água de forma consciente e responsável; Usaria mais os transportes coletivos, as bicicletas, os pés; Abraçaria a Amazônia, as praias, as reservas indígenas e ambientais, os mananciais, os rios, como se fossem um filho unigênito;

…ouviria as mesmas notícias das mais variadas fontes e não engoliria os noticiários diários televisivos; Permaneceria mais com a televisão desligada do que com um livro fechado; Envolver-se-ia menos com futilidades desprezíveis; Buscaria inspirações em pessoas de caráter, de integridade, de biografia exemplar, de histórias de superação e esperança, sinônimos de resiliência; Cuidaria mais daqueles que estão ao seu redor; Gastaria o pequeno tempo que se tem na vida com atitudes singulares e nobres;

…se indignaria com a morte da criança rica tal como a do pobre, com a corrupção tal como a economia estagnada, com o aumento dos combustíveis tal como dos transportes públicos, com a elevação abusiva da tabela dos planos de saúde tal como a falta de atendimento nos hospitais públicos do país, com a arrecadação do Governo com o imposto de renda tal como a deficiência dos serviços ofertados pelo Estado; Protegeria as crianças, os idosos, os injustiçados, os oprimidos; Abriria mão dos privilégios e dos conhecidos “jeitinhos” para dar lugar aos mais necessitados;

…respeitaria a faixa de pedestre, o acostamento, a ciclovia e ciclofaixa, as vagas destinadas às pessoas com deficiência, os bancos reservados aos idosos, gestantes, enfermos; Precisaria menos das cobranças do próximo, das tutelas do Estado e das legislações para se lembrar de determinadas posturas; Cultivaria a alma pela coletividade;

…com tudo isso, e ainda assim conseguir não ser arrogante, legalista, chato, rígido, intolerante ou insensato.

E eles???

Se eles fossem sérios…

O Brasil???

O Brasil não é levado a sério.

Sério???

Sério!!!

Carta Aberta: Empreendedores Sociais – Juntos Nós Podemos

Juntos

Por Marcio Uno

CARTA ABERTA: EMPREENDEDORES SOCIAIS

#JUNTOSNÓSPODEMOS

“A questão não é discutir se você

é ou não engajado. Não é isso!

A discussão é: como você pode

não ser engajado?”

Marcelo Caldas, Marcio dos Reis Uno, Elaine Procópio e Daniela Azevedo.

Nascemos de um único desejo, apenas um. Mas, não é qualquer desejo, e sim, aquele que nos move, impulsiona e desafia a darmos sempre o melhor em tudo que pusermos as mãos. E essa aspiração se chama: ajudar o próximo! Simples assim! Nem mais, nem menos: esse é o cerne ao qual colocamos a nossa pedra angular.

Assim como a frase de Heráclito de Éfeso “Ninguém se banha duas vezes na água do mesmo rio”, acreditamos piamente que passaremos por este mundo apenas uma vez! E caso não seja assim, é indiscutível que somente teremos uma oportunidade para cada momento vivido. Logo, qualquer bem ou gentileza que possamos fazer em prol dos semelhantes, que agora seja a hora!!!

Cremos que além das ações realizadas em benefício do outro, necessitamos de colaboradores. Sem parceiros, não poderemos potencializar o trabalho e multiplicar a corrente do bem. Sabemos da importância que se tem quanto à organização, material, divulgação, marketing, porém nosso maior valor são as mãos humanas, quer sejam a de obra como a de suplício.

Pessoas tais como Jesus Cristo, Nelson Mandela, Evita Péron, Mahatma Gandhi, Oscar Schindler, Freis Dominicanos na Ditadura Militar do Brasil, Francisco Cândido Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Sidarta Gautama, Desmund Tutu, Confúcio, São Francisco de Assis, Zumbi dos Palmares, Martin Luther King, Rosa Parks, demais e anônimos da história mundial, além de serem inspirações a bilhões de pessoas, optaram pelo trabalho coletivo e deram importância significativa às pessoas.

Não atuamos por placas de igrejas, aliás, respeitamos todas as religiões, pois na essência somos todos iguais e nas diferenças nos respeitamos! Pregaremos sempre o respeito: a toda e qualquer religião.

Não pregamos o trabalho envolvido diretamente e/ou ligado a algum interesse nas questões partidárias políticas. Nem por isso rejeitamos o tema, pois sabemos que o empreendedorismo social é, sobretudo, também uma ação politizada.

Sabemos que a ideologia é intrínseca ao trabalho social, entretanto não levantamos uma bandeira específica nas ações além das quais abordamos neste manifesto.

Nossa ambição não é escatológica, muito menos messiânica. Não estamos preocupados em construir projetos mirabolantes, porém queremos que os frutos apareçam, ainda que seja ao longo prazo. Concordamos com Oscar Schindler quando diz que “aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro”.

E como dizia Frei Betto, no seu monumental livro Batismo de Sangue (pág. 145 e 146):

“E como um cristão pode colaborar com um comunista?”

“Para mim, os homens não se dividem entre crentes e ateus, mas sim entre opressores e oprimidos, entre quem quer conservar a sociedade injusta e quem quer lutar pela justiça.”

“O que você quer é o comunismo?”

“Quero uma sociedade justa, onde a VIDA do ser HUMANO socialmente mais insignificante esteja assegurada. O Deus no qual eu creio é o Senhor da Vida. Não me interessa se essa sociedade tenha o nome de socialismo, de comunismo, de utopismo ou qualquer outro. Os rótulos não revelam o conteúdo”.

Para além das etiquetas, balizaremos todas as atitudes onde a vida do ser humano esteja injustamente desfavorável.

Pois desejamos tal como declarou o filósofo romano Lucius Annaeus Sêneca:

“Onde houver um ser humano, há uma oportunidade para a bondade.”

Convidamos que venha conosco nessa empreitada e que saia do comodismo, onde jazem os pessimistas – que nada fazem para mudar a realidade que os rodeia. Não estamos preocupados com aptidões ou currículos, pois como dizia Thomas Edison “talento é 1 % inspiração e 99 % transpiração”. Queremos pessoas que tenham um sonho por se transformar em realidade, assim como Martin Luther King discursou em 28 de Agosto de 1963. Buscamos sabedoria de vida.

Faça a diferença, acredite, você pode! Vamos todos, pois juntos nós podemos! Não adiaremos nossos atos de amor e bondade, pois não somos conhecedores do futuro neste caminho no qual trilhamos – o da vida. Tudo o que dispomos são das pessoas, vontades, sonhos, do tempo presente.

Em nossa religião, oramos, rezamos e meditamos:

“FAZER todo o bem que pudermos,

 Ao maior número de pessoas que passarem em nossas vidas,

Das mais variadas maneiras possíveis e

Por quanto tempo conseguirmos – lutando bravamente: sempre!”

#JuntosNósPodemos

 

Um(a) (Ac)Ode Urbano(a)

metropole

Imagem Extraída de: http://movimentonovospoetas.blogspot.com.br/2013/09/metropole.html

Por Marcio Uno

O sol que se empina e massacra o asfalto
Sentidos perturbados entre os arranha-céus de basalto
Só não se desintegra a capacidade de criar pegadas
Da mente que divaga sobre as imagens captadas

Diante do santuário moderno, devoção ao centro comercial
Na larga calçada do formigueiro, espaços são minorias
Não se sabe se há mais pessoas ou mercadorias
Detalhe para os feriados e os santos dias:
Das mães, dos pais, carnaval, páscoa, natal

Ao redor da longa avenida multiplicam-se mundos
Livraria, museu, restaurante, parque, cinema…
Arte, literatura, gastronomia, lazer e ambientes fecundos
Com misturas de raças, idiomas, dialetos e fonemas

Nuvens de fumaça atingem as pedras do horizonte
O calor misturado à camada cinza de poeira
Denota a vida asfixiante e atordoante
Poluentes viciantes de forma sobremaneira
Que sendo tragada a vitalidade, oferece refrigério ao dependente

Há remédio ao tédio e veneno ao comodismo?
Acordar, andar de transporte público, dormir, pechinchar e trabalhar
Correr, descansar, fazer caridades, estudar línguas, rezar, viajar
Beber e comer com amigos, discutir, cantar e dançar sem eufemismos
Tocar instrumentos, ler, escrever, chorar, sorrir e malhar

A sociedade que se escorre pelas galerias subterrâneas
Relações das quais: profissionais, formais, instrumentais, temporárias
Desconfiança, instabilidades, contingências, liberdade ao efêmero!
Bauman, o profeta polonês sendo lido com atenção e desespero

Santa metrópole!!! Reverência ao anonimato…
Multidão de solitários, sem culpas nem flagrantes, à vontade
A abstenção da segurança em prol da liberdade
Vergonha, timidez e cautela não se comem em nenhum prato

A trombada é inevitável, já a desculpa, ignorada
O trânsito caótico é acelerado e sem educação
Sons e barulhos irritantes, síndrome do pânico menosprezada
A sudorese se dilui juntamente com a arritmia e a tensão
Alta ou Baixa, Pouca ou Muita: Pressão, PREssão, PRESSão…

No vão de entrada do metrô, bigodes
E dedilhados e batidas do violão
A espera de trocados colocados no chapéu sobre o chão
Um acorde, dois acordes, três acordes
A emoção peleja contra a escuridão

Teria como epíteto ideal o poema insano
De “Um Acode Urbano”
Ou a alcunha da imperfeita lírica humana
De “Uma Ode Urbana”?

Aliança de Madeira

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Por Marcio Uno

Cultivo um jardim de pequeno porte em casa há alguns anos. Embora a maior parte do tempo seja eu quem o preserva, algumas pessoas me ajudam: regam, podam, plantam e cuidam das maravilhas que brotam da terra.

Recordo-me da frase do grande jardineiro Rubem Alves: “Como não acreditar em Deus se há jardins? Um jardim é a face visível de Deus e essa face me basta” (Livro Sem Fim, pág. 13, Rubem Alves, Edições Loyola, 2002).

De tantas espécies de fauna e flora residentes em mansão divina, um dos plantios que se destaca diante dos demais é um pequeno pedaço de tronco e um lindo lírio branco que é sustentado por entre os nós da madeira.

Toda vez que o contemplo tenho a gostosa sensação da eternidade se perpetuando em minha alma. Sem contar nas inspirações que me transmite para escrever sobre os encantos, o amor e a vida. A verdade é que sua formosura se transforma em estrofes poéticas dignas de silêncio.

Sua fortaleza pelas raízes e cepa retorcidas é contrastada pela realeza das alvas e altivas pétalas. Simboliza a criatividade, sabedoria, longevidade, reserva de calor e vitalidade. A habitação imortal que se relaciona levianamente com a natureza finita e desabrigada.

Para demonstrar tal paixão, feri-o. Fiz pequenos desenhos de corações em seu caule. Em mim, imprimi uma tatuagem na pele que simboliza esta infinita amizade. Pequenos gestos de uma aliança. Pois são de marcas que se estabelecem pactos na vida.

Muito me orgulha ser o cuidador do pequeno exemplar que expande sentimentos, contagiando pessoas, animais e o habitat em que vive. Traz beleza aos olhos de quem o enxerga, atrai os mais lindos pássaros e insetos e, com o auxílio da calmante brisa, oferta a todo o canteiro o que tem de melhor, um agradável perfume.

Também é gratificante acompanhar seu desenvolvimento ao longo da relação simbiótica dentre nós. Ainda, ser participante dessa evolução me faz esquecer a própria identidade ou, talvez, faz-me projetar a autoimagem em suas seivas.

Preparar-lhe terreno, lançar as sementes, irrigar o solo, eliminar as folhas secas e os ramos defeituosos, protegê-lo das pragas e daninhas, presenciar o aparecimento das brotações, retirá-lo do espaço pequeno para um que seja mais confortável e que lhe facilite o crescimento….

Se eu sofro de Psicose, Demência, Esquizofrenia, Amnésia, Autismo? Pouco importa qual seja o rótulo psiquiátrico que me acompanha, pois vou mesmo festejando este quinquênio, renovando os votos e agradecendo ao mestiço bonsai por dar existência ao lindo quintal. Consequentemente, sobrevivência ao jardineiro.

A Dignidade De Não Se Tornar Amargo

choro

Imagem Extraída de: http://www.sonhocerto.com/sonhar-com-choro

Por Marcio Uno

O temperamento melancólico é intrínseco ao que se entende por existência. Com a sensibilidade extrema e a inexpressividade dos sentimentos, aconselho que derrame lágrimas no quarto escuro da vida.

Quem nunca se encharcou por um amor? Amor perdido, rompido ou ignorado; Amor sufocante, aceso ou idealizado. Desfaça o aviltamento e se entregue aos movimentos da paixão para que gotas sejam transformadas em óleo de bálsamo às feridas e à efervescência claustrofobiante dos amantes (des)iludidos.

Torne a tristeza molhada diante das visitas dos dissabores da vida e do sofrimento. Aliás, são através de respingos que se desnuda o corpo e se aconchega mansamente ao divã da alma para conhecer o que, de fato, é humano.

Goteje alegrias nos pequenos instantes de felicidades e conquistas. Não desperdice oportunidades para transparecer emoções e compartilhar os frenesis de júbilo, já que estes atos são regidos pela raridade do universo.

Entregue-se a lamúria por aqueles que deixaram a essência terrena e aos que, no decorrer da travessia, se desencontraram dos passos alheios e foram se explorar em outros mundos.

Celebre com choros as ações em parceria, a bondade, a graça e os lindos relacionamentos. A amizade e mutualidade no amor devem ser reverenciadas com louvor e gratidão, pois são alicerces preciosos para o coração.

Às vezes, o sorriso é inimigo mortal para o espírito. Diante da maldade, do horror, do cruel, externe com gemidos a ojeriza do que lhe é infernal e recorde-se de que nem aquele que chorou sangue se privou de demonstrar sua angústia e fraqueza aos homens.

Ademais, a indiferença é amiga vital para o fúnebre. Suspire e banhe-se de ternura através da beleza, das virtudes e do encantamento. Emaranhe-se naquilo que transpõe a carnalidade e, ao mesmo tempo, dá sentido ao corpo que lhe sustenta.

Porém, nos momentos em que as gotas são escassas ou inexistentes valorize a dignidade daquele que permite a humanidade escorrer por entre as faces. Faça uma prece aos ombros do próximo para cair em prantos novamente, enquanto há olhos e coração sensível para recepcionarem as chuvas torrenciais.

E lembre-se: a amargura não fixa relacionamentos com gente que, frequentemente, se apresenta de olhos marejados, mas estabelece pactos com aqueles que não vivem intensamente os diversos momentos da história.