Os Dez Mandamentos Para Um Governante

Brasilia

Por Marcio Uno

Eis que te digo:

1- Nem pense em trair o discurso ético, moral e coerente, muito menos acusar veementemente os opositores partidários. Além de se ter uma ruptura com muitos fiéis do diretório, verá que só se perpetua no sistema com a renúncia dos princípios defendidos. Lembre-se da poetisa: “Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”;

2 – Nunca opte em governar, preferencialmente, pelos pobres e os mais necessitados. Isso fomentará ódio à classe capitalista dominante, sendo estes os primeiros inimigos algozes conquistados;

3 – De modo algum introjete às práticas a lógica de que “se os governantes anteriores foram corruptos e lhes imperou a impunidade, por que agora seria diferente?” Utilizar-se de esquemas semelhantes de corrupção criados por governos passados com os mesmos pivôs (Marcos Valério e Alberto Youssef) e sofisticar as condutas, o grave erro será aparente;

4 – Não faça aliança com quem seus discursos de oposição eram ácidos muito menos com o maior partido do Congresso, ainda mais se o pacto for com o Belzebu, pai de todos. Pela troca dos desejos realizados, as chantagens serão permanentes e no momento mais crítico Mefistófeles pedirá alma a Fausto;

5 – Nem tente empoderar tampouco trazer ligeira autonomia às instituições federais. Não sancione leis como as da Ficha Limpa e da Delação Premiada. Coíba rigidamente as diversas Operações (Mensalão, Lava Jato, etc). Controle absolutamente a Controladoria Geral da União (CGU), a Polícia Federal (PF), o Tribunal de Contas da União (TCU), o Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério Público da União (MPU) e o Congresso Nacional. Aprenda que no jogo de xadrez o tiro não pode sair pela culatra;

6 – Jamais desagrade seu Vice e brigue com o Presidente da Câmara, ainda mais se ambos pertencerem à soberana sigla partidária. Imperdoável pecado!!! Carregue consigo o provérbio popular: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”;

7 – Nunca peça o retorno de impostos (CPMF) mediante os quais tecia duras críticas. Não aumente a máquina pública e tenha como o estado mínimo e o neoliberalismo lema de suas bandeiras sólidas. Rediscuta o pacto federativo sem gerar desgastes com os Estados e Municípios. Não arroche o servidor público. Seja carismático, populista e não carregue a intransigência consigo;

8 – De forma alguma abra portas para uma grave crise econômica que traga como consequências a desvalorização cambial, o rebaixamento da nota de crédito pelas agências de classificação de risco de investimentos, a alta da inflação, da taxa dos juros e dos níveis de desemprego, pois além de ser a justificativa ideal para os inimigos acumulados até aqui, com o retrocesso social, nem mesmo aqueles beneficiados durante o Governo se lembrarão das conquistas passadas;

9 – Não incentive o presidencialismo de coalizão quando a relação com as lideranças das bases forem quebradas. Eu mesmo te orientei: “Nem só de Ministérios viverá o cão, mas de todo o trato político possível.” A ingenuidade e incompetência na articulação política não faz parte no mundo da perversidade. Preserve sempre o “bom trânsito” e a “boa comunicação” diante dos parlamentares (para bom entendedor, quatro aspas bastam);

10 – De jeito nenhum dê espaço para ser o sacrifício da depravação, o bode expiatório da vez. Diante das violações dos nove mandamentos acima, mesmo que todos os outros governantes cometam as tais acusações pelas quais te sentenciam, não terá força quando gritar que está diante de um golpe. E Já dizia as palavras sábias do mestre: “Agora, Inês é Morta!”.

Obedeça ao seu Deus e, então, governará pela eternidade. Shalom!!!

O Bem e os Barquinhos de Papel

barquinho de papel

Imagem Extraída de: http://portalcrescer.blogspot.com.br/2011/08/barquinho-de-papel.html

Por Marcio Uno

Muitas vezes o bem não vence o mal. Contudo, sempre convence…

…convence alguns homens e mulheres de que a honestidade, o caráter, a integridade são as maiores vitórias que se possa carregar consigo;

…convence não por resultados, discursos, arrogâncias e manipulações, e sim, pelo conteúdo, atitude, altivez e justiça;

…convence a ponto de indivíduos escolherem que entregar a própria vida em razão da dignidade é mais belo do que morrer com as mãos manchadas de iniquidade;

Leve, puro, sutil, refrescante, delicioso, sereno: o bem é como a brisa que sopra por sobre as águas do mar.

E assim, vai conduzindo tranquilamente as frágeis embarcações que almejam percorrer despretensiosamente pelo infinito horizonte do oceano.

Série 8 Anos do Caminhada: “Novos Horizontes” – Malu Rizardi

Novos-Horizontes

Imagem Extraída de http://nathyorkuteira.spaceblog.com.br/1476653/Novos-Horizontes

Por Malu Rizardi

Querido Márcio!!!

Quero parabenizá-lo por esses oito anos de CAMINHADA para realizar sua nobre MISSÃO de disseminar a paz e o amor a todos que se encontram sedentos por um mundo melhor, por meio das ótimas reflexões que disponibiliza em seu blog.

Gostaria de dedicar-lhe, com todo carinho, esse singelo poema, com muito desejo de que a vida lhe possibilite sempre novos e horizontes.

Novos Horizontes

Já estiveram

bem adiante,

já estiveram

muito distante.

A cada ano

que se inicia

idealizamos

novas perspectivas.

Mesmo os céticos

contam os dias.

Seja por

diminuírem a jornada.

Seja para

desenganarem o nada.

Todo desafio tem

um estilo próprio.

O nosso caminhar

não é nosso,

mas de cada

caminhante.

Qualquer itinerante

tem esperança

de encontrar

novos horizontes…

Abraços,

Malu Rizardi

O Encanto do Palhaço

malaImagem Extraída de: http://www.correrpelomundo.com.br/2011/04/fazendo-as-malas-para-correr/

Por Marcio Uno

A noite dava uma trégua. Os pequenos feixes de luz que percorriam pelo trailer no qual Armando tinha adentrado minutos antes, foram suficientes para que se conseguisse tirar a fantasia e a maquiagem e se despisse do personagem que tanto o sufocava há dias. A coragem suplantou todas as espécies de dissimulações.

Olhando ao espelho enquanto limpava os últimos traços de tinta sobre o rosto, lembrou do início da história nos picadeiros. Desde as trapalhadas cometidas pelo iniciante da arte até se tornar o profissional do riso. Voltou ao presente. As rugas que marcavam a pele, agora flácida, revelavam os anos percorridos e os poucos que ainda lhe restavam.

Por um instante passou-lhe na mente o espetáculo da vida. Questionou-se se tudo aquilo tinha o devido valor. Sabia quais eram os limites do palhaço. Lembrou-se do equilibrista que, lá do alto, percorre a linha tênue tentando encontrar a postura para atravessar ao outro lado. Identificou-se. Olhando para a grande mala, sussurrou: “Chegou, quero o equilíbrio”.

Com toda cautela para não fazer barulho e acordar os demais, levantou a pesada bagagem. Caminhou até diante da porta. Temeu e tremeu. Tentou chorar, mas as lágrimas eram suas grandes inimigas. Abriram-se os portões. Deu de cara com as pequenas chamas que alimentavam a decadente fogueira: lugar de histórias, causos, criatividades, coletividade e gargalhadas nas noites profundas.

Desceu seguramente pela escada. Sentiu os pés tocar sobre o solo de barro misturado com serragem. Aquele trajeto lhe era conhecido, atravessava costumeiramente ali para chegar nos bastidores. Já na cobertura, lustrava as botas sujas com a pequena toalha exclusiva para tal fim. Agora, apesar do trecho ser o de rotina, na bifurcação à frente escolheria pelo caminho desconhecido.

Tentou procurar ao redor dos reboques alguém que, porventura, estivesse o olhando ou passeando pelo terreno com insônia. Parou a respiração por segundos e fez silêncio. Somente escutou o galo cantando, o estalar das brasas, o vento frio passeando pelo vale descampado e o eco do apito do primeiro trem que logo mais prosseguiria a viagem. Este era o mesmo som que presenciou quando descia da estação anos atrás: cruel nostalgia.

O que lhe seria mais torturante viria adiante: recordou-se de que, quando moleque, sua genitora tinha-lhe inscrito no programa Circo-Escola da pequena cidade de Esperança para ser o encantador de ilusões e não de sorrisos. Não era religioso nem supersticioso, entretanto a crença carregada por décadas era a de que nunca seria realizado sem a benção maternal. A teimosia fazia questão de não lhe deixar sossegado.

E continuou: após suas apresentações, corria atrás das cortinas e através da fresta criada ficava extasiado com os truques do colega. Quantas vezes queria entrar novamente em cena para deixar o público boquiaberto com aqueles feitiços e, quem sabe, aproveitar para sumir com os perturbadores pensamentos que o atormentava. Virou-se para trás e avistou o abrigo do mágico pela última vez. Era manhã, porém tarde demais.

A poucos metros de deixar o chão de terra para pisar na rodovia, sentiu alguém o seguindo e acompanhando os passos arrastados e tristes. Virou-se bruscamente e agachou-se para abraçar e despedir-se de Fofão, o velho cachorro que convivia com a trupe circense. Pensou em mudar o nome do animal para Baleia, porém lembrou-se de que apesar do vira-lata ser mais humano que os demais, as vidas secas não era encenada em um sertão geográfico.

Quando Armando colocou o primeiro pé no asfalto ainda frio, o cão o deixou prosseguir. Pensou: “Até o animal sabe qual seu limite. Não deveria eu conhecer os meus?” Uma fotografia pousou-lhe na mente. “Ah, e o malabarista, que sabedoria!!!” Queria se apropriar do tempo de jogar tudo para cima, respirar e quando as coisas estivessem para se espatifar no chão, segurar um por um com naturalidade. E assim, recomeçar o ciclo.

As risadas provocadas, o carinho da plateia, os minutos de atenção exclusiva já não faziam mais parte do currículo?

Foi então que sentiu, atrás de seu corpo, as mãos de alguém encobrindo seus olhos. Apalpou-as e não acreditou que ela estivesse aparecido. Na verdade, ela estava o perseguindo por toda noite e não foi sequer notada. Trazia trajes de arlequim, com nariz de palhaço, pintura na face e uma peruca maluca que tinha ganhado de Armando em um remoto dia do amigo. Do lado da formosa mulher, uma bolsa de roupas. Ao fundo, avistou Fofão abanando o rabo e as bandeirinhas tremulando por cima da lona.

Apesar dos problemas, transtornos e equívocos, ainda alguém apostava na reconstrução. Ele sorriu por dentro, algo que não lhe acontecia há muito tempo. Tinha a consciência de que também necessitava receber cuidados, abrigo, afagos. O espanto lhe fez vida e sabia que, a partir de então, estaria acompanhado de amor, de sentido, de satisfação, de Felicidade.

Esta o ajudou segurando uma alça da bagagem ainda que bem ciente do conteúdo carregado. Os primeiros passos dados na estrada a quatro pés eram iluminados pelo maravilhoso nascente do sol ao horizonte. Caminharam juntos por muitas léguas a ponto de perderem a razão da distância. Dividiu-se a carga. Felicidade com Armando; Armando com Felicidade.

Era uma vez o encanto do palhaço…

Danço, Logo Existo

IMG_20150419_223949043Por Marcio Uno

Gosto de dançar na vida. Aliás, não há problemas se alguém não tem desejo em ser levado pela música, pois esta mesma se encarrega de ditar ritmos. A criação é a mãe que vai parindo aos sons, em vários movimentos, ajudando suas criaturas a darem os primeiros passos nas pistas do salão.

Qual brasileiro já não teve de entrar na roda de samba e acompanhar frases e refrões melódicos juntamente com os batuques das dificuldades enfrentadas? E quase sempre sem carnavais, folias, máscaras, fantasias. É na palma da mão, com passadas alternadas, sincopado ou não, quer seja o samba-rock, sambalanço, de gafieira, do morro ou de raiz, todos com a malandragem e improvisação da vida aos pés, fazendo jus a origem sofredora da agitação.

Há fases em que a rebeldia e protesto se fazem necessários no caminho. Com melodias estreitas, sons amplificados, contratempo acentuado, utilizo-me do rock para demonstrar o descontentamento com o “status quo” e balançar as estruturas ultrapassadas. Incorpo o heavy metal, pop rock, punk rock, e com o corpo frenético, pulo, grito e uso o bate-cabeça como forma de demonstrar atitudes e inquietações frente à realidade.

Essas três décadas de história se resumem ao meu envolvimento contínuo com o tango. Na forma binária e com o compasso de dois por quatro, vou traçando as pernas no mais confuso dos estilos, de modo a não me deixar tropeçar no palco das afetividades. Entretanto, muitas são as vezes que a queda se torna inevitável, devido ao corpo flácido e embriagado. Os pensamentos tristes e dramáticos são carregados de supostos antagonismos como a paixão, a sexualidade e a agressividade. Milongas!!!

Ah, e aqueles dias que escolho tocar na vitrola o balanço latino-americano, alegre e sensual da salsa? Os ritmos de percussão rápidos e complicados, de composição quaternária, com a miscelânea do mambo, da rumba e do cha cha cha, conotam a escolha da sabedoria para regir as pisadas. Sapore, sapiência, dizia o cozinheiro Rubem Alves. Bem quero é dar pitadas de sal e jogar belo de um tempero na vida.

São nos momentos de dores, perseguições, lutas e angústias, que desabafo todos os sentimentos através da guitarra aguda, dos adufes, dos penteados, das roupas chamativas e da castanhola. Invoco a divindade mediante o flamenco espanhol e com movimentos circulares dos braços e apontado-os para o céu e para a terra, demonstro minha oração por gratidão, auxílio e abrigo.

A tarantela é a dança que mais me apetece. Através do círculo, da troca de casais e da junção de outras pessoas, os movimentos em nome do coletivismo, dos encontros e desencontros, das amizades, da família e do companheirismo, são os que rompem com os ciclos da morte e solidão. Cada gesto efetuado faz-me recordar que ser humano é compartilhar.

A exigência dos músculos, os rodopios e malabarismos de um dos patrimônios da humanidade, o frevo,  simbolizam muito bem o cotidiano das metrópoles: agitação, rotinas extremamente aceleradas, eferverscência. E não há refresco para o frevo de rua, de bloco ou de canção, pois o guarda-chuva é a arma que combate os rivais arrefecedores.

Ainda sou um aprendiz da valsa, seja a vienense ou a inglesa. Com extremas dificuldades, tento acompanhar o compasso de três tempos, as oscilações do corpo no vaivém e das voltas executadas. O que se parece tão simples não obedece as ações corporais: comemorar os momentos únicos e festejar no ápice da festa com uma alegre orquestra, deixando de lado os medos, traumas, sofrimentos; permitir-se ser feliz.

Embora seja linda a apresentação grupal de sincronismos e intensidades de notas emitidas com o sapateado, gosto muito do tap dance solitário. Aprecio escutar os ruídos da alma, a deixar que o corpo produza nos solados de madeira coreografias agradáveis ao coração, a meditar nas vibrações que buscam a leveza e elegância dos passos marcados no chão.

E quando se aproximar da meia-noite, antes que todo o brilho se acabe, gostaria de bailar pela celebração da vida e a recepção da morte como as tribos indígenas da Amazônia. Nas badaladas da torre do relógio quero ouvir a música da metamorfose ecoar pela nova estrada.

Indignai-me, para manter-me digno

Sordidez mascarada
Imagem Extraída de: http://amo-sim.blogspot.com.br/2011/04/indignacao.html

Por Marcio Uno

Ai minha indignação!!!
Ai minha indignação!!!
Ai minha indignação!!!

Que juntamente com a ambição traz tortura à honesta existência
E com a ferida da inimizade atinge ao ego inflamado por razões

Golpeia o descanso, dilacera as entranhas e chamusca o pobre corpo
Não se conforma com a tarefa insípida para ainda trazer perturbações em moléstias indagações?

Ainda resta a persistência para tê-la como colega, ou quem sabe, amiga íntima?

Como tecer o elo entre a leveza da dança e a árdua pisada da conquista?
Há perspectivas de se encontrar a homeostasia para a paráfrase epistolar: “Indignai-vos e não pequeis”?

Declara guerra ao universo quando se hasteia a flâmula branca no coração?
De onde encontra forças para enfrentar a injustiça e como abre espaços para a admissão da franqueza frente às consequências da luta travada?

Quando se tiver saúde é ser enfermo de amor e ódio; e
A sanidade perpassar pelos caminhos do delírio,
Qual a dose administrada do emplastro cujo rótulo expõe contraindicações substanciais para o ferido organismo?

Se o discurso contamina as decisões, o caráter se mistura com a obscura personalidade,
Como separar o joio do trigo, as ideias dos ideais ou até mesmo o platonismo daquilo que é real?

Ignora a amplitude da essência a fim de não ser parte do que lhe é abjeto, dissimula-se nas máscaras criando falsos enredos e ainda sobra coragem para recitar, com soberba, o epílogo da mitologia dos deuses?

Qual o sentido de querer se dar existência ao egoísmo humano ou de celebrar a inutilidade com uma medalha no peito? Não são nos momentos de desesperança que se faz valer a fé nas transformações coletivas?

O espelho, ainda que seja ao entardecer do dia, se emerge das águas oceânicas e não ofusca a visão dos pescadores que estão ao redor. A nítida imagem coloca a obediência e a subserviência ao lado da vitimização, enquanto que a rebeldia e a insurreição mostram-se como atos de responsabilidade.

Abro portas ao transtorno infernal e dele, faço recepção aos caminhos nivelados da lúcida transgressão mental:
Confusões, Confusões, Confusões!!!

Na cartilha da vida, aproprio-me da honra como verbo e, enquanto adjetivo, da integridade
E para manter-me digno, faz-me o mantra:

Ai, Ai-me, Ai!!
Indignai-me…
..Indignai-me,
Indignai-me!!!

Curai-me,
Curai-me,
Curai-me!!!